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MPF abre investigação para apurar suspeita de tráfico de influência de Queiroguinha

O Ministério Público Federal (MPF) da Paraíba abriu, nesta terça-feira, uma investigação preliminar para apurar possível tráfico de influência e usurpação de função pública por parte de Antônio Cristóvão Neto, o Queiroguinha, filho do ministro Marcelo Queiroga. A representação, assinada por deputados e senadores da oposição, se baseia em reportagens recentes do GLOBO que revelaram que Queiroguinha tem falado em nome do Ministério da Saúde e prometido intermediar encontros de prefeitos com o pai embora não tenha vínculo com a pasta.

“A denúncia foi analisada pelo procurador distribuidor, que determinou a instauração de notícia de fato e respectiva distribuição para ser apurada.  De início, o suposto fato deve ser averiguado por gabinete com atuação criminal geral, o qual avaliará o cabimento de eventual encaminhamento à Procuradoria Regional Eleitoral”, diz a nota do MPF.

Além do pedido para abertura de inquérito, os parlamentares acionaram o MPF para pedir uma série de informações e de documentos a ministérios e prefeituras. Entre elas, estão reuniões de Queiroguinha — pré-candidato a deputado federal pelo PL da Paraíba, partido do presidente Jair Bolsonaro — em nome da Saúde junto a prefeitos e da participação de Queiroguinha em eventos da pasta.

— Algo não cheira bem. As denúncias e fatos se avolumam. É fundamental que o Ministério Público, sobretudo do estado da Paraíba, inicie uma apuração imediata para afastar não só irregularidade em administração pública como abuso do poder político e econômico que possa influenciar o resultado da eleição — afirma o deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), um dos autores da representação.

“Observando os fatos à luz de eventual incidência delitual, cumpre averiguar o comparecimento de Queiroguinha em eventos da pasta do Ministério da Saúde, representando seu pai, o atual Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, bem como sua autointitulação como membro do Poder Executivo, haja vista que Queiroguinha, sequer exerce qualquer função pública que o faça competente para esta substituição ou qualificação”, sustenta o documento, protocolado nesta terça-feira.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) já havia recebido, na última quarta-feira, uma representação em que o PSB que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, seja investigado por suspeita de improbidade administrativa e infração à legislação eleitoral. O pedido também se baseia nas reportagens do GLOBO que revelaram a atuação do filho do ministro “em processos destinados à liberação de recursos públicos do Ministério da Saúde e do Fundo Nacional de Saúde”.O partido, que faz oposição ao governo de Jair Bolsonaro, também apresentou um requerimento para que o ministro seja convocado a prestar esclarecimentos sobre o episódio na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara.

A denúncia à Procuradoria Regional da República em João Pessoa é assinada pelos senadores petistas Paulo Rocha (PA), Humberto Costa (PE), Fabiano Contarato (ES), Jaques Wagner (BA), Jean Paul Prates (RN) e Rogério Carvalho (SE), pela senadora Zenaide Maia (Pros-RN) e pelos deputados do PT Erika Kokay (DF), Henrique Fontana (PR) e Jorge Solla (BA), além de Padilha.

Clóvis Gaião

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