

“Meu Partido. É um coração partido”. A cancão eternizada por Cazuza traduz bem a relação dos partidos aliados do presidente Lula na Paraíba, divididos em dois palanques principais. De um lado o MDB, de Veneziano, e um PT de Ricardo Coutinho, rachado e com uma estratégia kamikase, tentando afastar de Lula o apoio do governador João Azevêdo e partidos aliados como PSB, o PV e o PC do B e a Rede e o Progressista, e do outro, o grupo do governador, que até admite a formação de um palanque duplo para fortalecer o presidenciável Petista.
É inegável a sintonia do PT e do PSB nacional com a formação da chapa Lula e Alckimin, o que seria natural que refletisse na Paraíba, não fosse uma forçada de barra de Veneziano e Ricardo de um palanque exclusivo na Paraíba. Como se fosse simples em uma eleição acirrada entre Lula e Bolsonaro abdicar dos votos de um governador aliado que lidera as pesquisas e uma aliança que já chega a 12 partidos em detrimento de um pré-candidato a governador que patina na quarta colocação e um pré candidiato a senador competitivo,mas cuja elegibilidade é questionável.
Lula no auge de sua experiência política, de quem perdeu três eleições presidencias, e só ganhou quando se aliou aos partidos de centro, sabe que não pode abrir mão de votos em detrimento de um sentimento de vingança e de interesses pessoais. Lula tem procurado formar palanques amplos em todo país, soaria estranho que a Paraíba fosse um ponto fora da curva e abdique de apoios expressivos nos estados.
A cúpula nacional do PT precisa colocar os pés no chão, ouvir a militancia do PT e dos partidos aliados no Estado para não criar muros, ao invés de portas, tendo em vista uma eleição nacional acirrada e difícil pela frente. Nesse contexto em que não há condições de aliança entre o PT, o MDB e o PSB na Paraíba, seria condizente que Lula tivesse um palanque duplo na Paraíba.
A política é a arte de fazer alianças. É somar e não dividir. Não é tempo de radicalismos, mas de conciliação. E Lula não deve estimular, ainda mais, a divisão de forças progressistas em um Brasil Partido!

