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“Com minhas doenças eu não vou ficar preso”, diz Fernando Cunha Lima ao chegar na central de Polícia

O médico Fernando Cunha Lima desembarcou, na tarde desta sexta-feira (7), na cidade da Polícia Civil, no bairro do Geisel, em João Pessoa. Ao ser questionado sobre as denúncias por abuso sexual infantil, o pediatra afirmou que estava na casa da filha, em Pernambuco, e que não deve ficar preso por muito tempo.“Com as minhas doenças eu não vou ficar preso, vou ficar só dois dias e saio”, destacou.

Fernando ainda afirmou ser inocente e desconhecer o número elevado de denúncias. “Eu não me entreguei antes porque meu advogado não me orientou assim. Não tem nenhuma vítima, eu tenho 55 anos de pediatria, eu tenho 20 mil clientes, porque só 3 ou 2 eu fiz alguma coisa?”, declarou.

Em entrevista coletiva concedida no interior do prédio da Cidade da Polícia, o delegado geral de Polícia Civil da Paraíba, André Rabelo, disse que o caso do médico é emblemático porque demonstra que não há diferenças entre punição a crimes cometidos por pobres e ricos. Fernando, um pediatra que atuou por cerca de 50 anos na especialidade.

“Para nós, ele é só mais um preso, só mais um indivíduo que precisa ser tirado de circulação. Vivemos um show de horrores com um senhor de idade fugindo da polícia paraibana. Nunca deixamos de procurar. Amanhã é Dia Internacional da Mulher e há um ano estávamos prendendo no Rio um indivíduo procurado pela Barbárie de Queimadas”, disse Rabelo.

Prisão – Nas últimas duas semanas, a polícia investigava imóvel locado para ele num bairro de classe média baixa na cidade de Paulista. Em novembro do ano passado, estava na casa da filha, em Casa Forte, Recife, de onde saiu uma semana antes do cumprimento do mandado de prisão. Fernando foi preso em um apartamento e foi a esposa do médico quem abriu a porta para a polícia.

Fernando evitava sair à rua, enquanto a esposa dele ainda saía de casa poucas vezes para resolver algumas demandas. Nos últimos dias, os parentes estavam evitando contato presencial com ele, preferindo falar por telefone.

“Houve uma instrução de como burlar o aparato de Justiça do nosso Estado e ‘botar a polícia para andar’. Ele passava o CPF para ser usado em vários lugares… ele queria transgredir já na transgressão e chegou aqui na Cidade da Polícia com deboche”, registrou o delegado André Rabelo.

Denúncia

As investigações começaram após o médico Fernando Cunha Lima ser denunciado pelo estupro de uma criança de 9 anos durante consulta que ocorreu no dia 25 de julho de 2024.

Segundo o advogado das vítimas, Bruno Girão, cerca de 20 pessoas entraram em contato fazendo mais denúncias, porém não formalizaram as acusações. Entre as quatro denunciantes, duas são sobrinhas do médico e duas são mães de pacientes do pediatra.

Veja imagens da chegada do médico na Central de Polícia no instagram do blog do Clóvis Gaiao

Clóvis Gaião

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