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CNI pede ao governo brasileiro que negocie com os EUA adiamento de 90 dias para aplicação do tarifaço de Trump

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) solicitou ao governo brasileiro que negocie com os Estados Unidos um adiamento mínimo de 90 dias na aplicação das novas tarifas anunciadas pelo ex-presidente Donald Trump. O pedido foi formalizado em uma reunião virtual convocada nesta segunda-feira, 14 de julho de 2025, pelo presidente da CNI, Ricardo Alban, com os presidentes das federações da indústria.

A iniciativa da CNI reflete a preocupação do setor industrial brasileiro com o impacto imediato das novas tarifas, buscando um prazo para adaptação e negociação. A medida visa proteger os interesses da indústria nacional diante das mudanças na política comercial americana.

Reunião ampliada com o Vice-Presidente e exportadores

A urgência do tema levou à articulação de uma reunião emergencial com o vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, que também acumula a função de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O encontro, será realizado nesta terça-feira, contou com a participação dos maiores empresários exportadores do País, representando setores cruciais para a balança comercial brasileira, como agronegócio, siderurgia, calçados e têxteis.

Durante a reunião, os empresários apresentarão ao vice-presidente um cenário detalhado dos prejuízos potenciais, como a perda de 110 mil postos de trabalho, que as novas tarifas podem causar às exportações brasileiras. Foram discutidos os seguintes pontos:

  • Impacto direto nas cadeias de valor: A imposição de novas tarifas pode desorganizar as cadeias de suprimentos e produção, elevando custos e diminuindo a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano.
  • Perda de mercado: A sobretaxa tornaria os produtos brasileiros menos atraentes em comparação com os de outros países que não sofram a mesma penalização tarifária, resultando em perda de participação no mercado dos EUA.
  • Risco de demissões e retração econômica: A diminuição das exportações poderia levar a cortes na produção, impactando o emprego e desacelerando o crescimento econômico em setores diretamente afetados.

Geraldo Alckmin destacou a importância de uma diplomacia ágil e estratégica para mitigar os efeitos das tarifas e defendeu a manutenção de um diálogo constante com os Estados Unidos. Ele ressaltou a necessidade de argumentar que as tarifas prejudicam não apenas o Brasil, mas também os próprios consumidores americanos, que teriam acesso a produtos mais caros.

Clóvis Gaião

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