O Brasil perdeu, neste domingo (2), um dos nomes mais emblemáticos de sua música popular. O cantor, compositor e multi-instrumentista Lô Borges faleceu aos 73 anos, em Belo Horizonte (MG), após complicações decorrentes de uma falência múltipla de órgãos. O artista estava internado desde meados de outubro, quando sofreu uma intoxicação medicamentosa.
Lô, cujo nome de batismo é Salomão Borges Filho, foi um dos fundadores do movimento Clube da Esquina, marco da música brasileira que floresceu no início dos anos 1970 e uniu sonoridades mineiras a influências do rock, do jazz e da música latino-americana. Ao lado de Milton Nascimento, Beto Guedes, Tavinho Moura, Wagner Tiso e Ronaldo Bastos, ele ajudou a reinventar a MPB, deixando um legado que atravessa gerações.
Um nome essencial da MPB
Com apenas 19 anos, Lô lançou em 1972 o álbum “Clube da Esquina”, em parceria com Milton Nascimento — considerado um dos discos mais importantes da história da música brasileira. No mesmo ano, lançou também seu primeiro álbum solo, o lendário disco do tênis na capa, que se tornou um símbolo de liberdade criativa e poética.
Entre suas composições mais conhecidas estão “O Trem Azul”, “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo”, “Paisagem da Janela”, “Tudo o Que Você Podia Ser” e “Para Lennon e McCartney” — músicas que continuam a emocionar gerações e a inspirar novos artistas.
Legado e despedida
Figura discreta, mas de enorme relevância artística, Lô Borges manteve uma trajetória coerente e produtiva ao longo das décadas. Nos últimos anos, vinha lançando novos trabalhos e realizando apresentações que reafirmavam sua vitalidade criativa. Em 2024, ele lançou o sexto álbum de inéditas em seis anos, reafirmando o compromisso com a música e com a arte.
A morte do artista causou comoção entre músicos, fãs e admiradores. Pelas redes sociais, nomes como Milton Nascimento, Lenine, Fernanda Takai, Samuel Rosa e Marisa Monte prestaram homenagens, destacando a sensibilidade e a genialidade de Lô.
“O trem azul segue viagem, levando contigo a poesia de Minas e a ternura do mundo”, escreveu Milton Nascimento em uma publicação emocionada.
O velório e o sepultamento ocorrerão em cerimônia restrita à família e amigos próximos, em Belo Horizonte.
Um símbolo de Minas e do Brasil
Mais do que um músico, Lô Borges representou uma forma mineira de sentir e traduzir o mundo — feita de introspecção, delicadeza e profundidade. Seu som uniu gerações, influenciando artistas de Caetano Veloso a Skank, de Milton Nascimento a Tulipa Ruiz.
Sua partida encerra um ciclo, mas seu legado permanece vivo na memória afetiva e sonora do país.
Como em sua própria canção, “tudo o que você podia ser” — Lô foi, e muito mais: um poeta das esquinas, um guardião da liberdade e um símbolo eterno da música brasileira.

