O jovem Gerson de Melo Machado, conhecido como “Vaquerinho”, que morreu neste domingo (30) após invadir o recinto da leoa Leona no Parque Zoobotânico Arruda Câmara, em João Pessoa, já havia sido alvo de uma decisão judicial de internação psiquiátrica no fim de outubro.
O caso tramita na 6ª Vara Criminal da Capital e está relacionado à investigação sobre a deterioração do portão do Centro Educacional de Adolescentes (CEA), ocorrida em janeiro deste ano. Na ocasião, segundo denúncia do Ministério Público da Paraíba, Gerson teria danificado a estrutura do local e precisou ser contido com spray de pimenta devido ao comportamento descrito como “agressivo e desequilibrado”.
Durante o processo, um laudo médico concluiu que o jovem era “inteiramente incapaz de compreender o caráter criminoso de seu ato ou de se comportar de acordo com esse entendimento”. Com base no diagnóstico, o juiz Rodrigo Marques Silva Lima determinou a expedição da Guia de Internação e Execução da Medida de Segurança, ordenando que Gerson fosse encaminhado imediatamente ao Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTP) ou a outro estabelecimento adequado.
A decisão judicial reforçava que a medida tinha caráter terapêutico, e não punitivo. Gerson deveria receber acompanhamento de equipe de saúde, com a possibilidade de conversão da internação para tratamento ambulatorial ou extinção da medida, conforme evolução do quadro clínico. O magistrado destacou que o tratamento deveria priorizar a alternativa “mais adequada e menos invasiva”, evitando o encarceramento.
Gerson recebia acompanhamento do Conselho Tutelar de Mangabeira e já havia sido encaminhado para o Centros de Reabilitação psicológico. Após a confirmação da morte, a conselheira tutelar Verônica Oliveira usou as redes sociais para se despedir do jovem e relatar os oito anos de luta por tratamento para ele, que tinha transtornos mentais e desde criança conviveu em um ambiente familiar onde a mãe e a avó sofriam de esquisofrenia. Fato que fez com que o jovem vivesse nos últimos anos na rua e possivelmente sem amparo familiar e psicológico adequado
A morte de Gerson reacende discussões sobre a efetividade das medidas de segurança, a rede de atendimento em saúde mental em João Pessoa e os procedimentos de atuação diante de casos que envolvem vulnerabilidade social e transtornos psiquiátricos.

