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Visita de Bolsonaro à Paraíba deixa um rastro de irresponsabilidade coletiva em meio à pandemia da Covid

Foto: grupo Interagindo Serra Branca

A visita relâmpago do presidente Jair Bolsonaro nesta sexta-feira (19) à Paraíba deixou um rastro de irresponsabilidade e cegueira coletiva. Não houve nenhuma inauguração ou anúncio impactante para o Estado, mas Bolsonaro, acompanhado do ex-prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues e do atual Bruno Cunha Lima, esbanjou simpatia com seus correligionários de olho nas eleições de 2022.

Após retornar de Sertânia- PE, como num enredo de filme os carros da comitiva param e surge, como o um se fosse um messias, o mito. Ele vai pro meio do povo e provoca grande aglomeração em Boqueirão, onde em “demonstração de amor à Pátria” nem ele, nem os membros da comitiva e nem seus fiéis seguidores usaram máscaras.  É como se de repente não houvesse a pandemia da Covid, mais de 200 mil mortes no país, UTIs lotadas, desemprego, fechamento de empresas e a gasolina a R$ 5.50. Numa fantasia delirante de um povo que sofre grave recessão econômica.

Como descreveu Saramago em seu ensaio sobre a cegueira “é preciso ter a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”. E de “se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”. Refletindo aqui, está claro que o nosso presidente, cuja responsabilidade é cuidar e zelar pela saúde do seu povo, a esqueceu em alguma gaveta empeirada de Brasília.  Aos nossos representantes políticos de Campina Grande resta o papel deprimente de olhar tudo e desmascarados esbanjarem sorrisos, enquanto famílias choram o luto e a angústia de verem seus familiares lutando contra vida num leito de UTI.  Nenhum pedido por mais vacinas, UTI´s, respiradores, nada além de um imenso vazio em seus sorrisos. 

Convido meus poucos leitores a refletirem juntos comigo. Alguém parou pra pensar, quantas pessoas podem ter sido infectadas com as aglomerações em Sertânia, Boqueirão e Campina Grande, ao se imprensarem entre centenas de pessoas sem máscaras. Quantos abraços, sem amor, pode ter levado junto um vírus mortal?  Que pode não ter UTI suficientes pra um novo pico de casos graves?

Enquanto houver vida, há esperança.  Espero que cada irmão paraibano hoje pare para refletir sobre o tamanho da irresponsabilidade comandada pelo chefe maior da nação. As vezes é preciso parar, fechar os olhos e ver para recuperar um pouco da lucidez perdida.

Clóvis Gaião

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