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Compra de vacinas pelo setor privado poderá adiar o sonho da vacina para população

Polêmica à Vista. Após a Unifacisa conseguir liminar na Justiça Federal para a compra de vacinas a laboratórios estrangeiros para vacinar diretores, funcionários ocorreram vários questionamentos sobre a legalidade da medida.  O governador da Paraíba, João Azevêdo, considerou a possível compra como um grande equívoco e que isso só deveria ocorrer após a vacinação dos 77 milhões de brasileiros que compõe o grupo de risco.

A decisão foi publicada nesta terça-feira (6). Nela, o juiz Rolando Spanholo reconhece que “não há impedimento legal de a sociedade civil participar imediatamente do processo de imunização da população brasileira em relação à pandemia” e, assim sendo, autoriza “a imediata importação de vacinas destinadas exclusivamente à imunização do novo coronavírus de seus substituídos e respectivos familiares, sem a obrigatoriedade de ceder parte das doses importadas para o Sistema Único de Saúde ou para o Plano Nacional de Imunização.  

A verdade é que com a nova lei que deve ser aprovada pela Câmara dos Deputados dará a iniciativa privada não apenas o direito de comprar vacinas e comercializar, mas de colocá-los com larga vantagem na corrida pela vacina, devido o poder do Capital e por vencer etapas inerentes a burocracia no setor público.

De forma mais clara, uma minoria será privilegiada por poder comprar suas próprias vacinas no mercado externo em detrimento da imensa maioria das pessoas que não tem condições de se imunizarem sem que seja pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os próprios laboratórios e clínicas entraram na concorrência tornando a tal vacina como privilégio dos mais abastados, com uma vacinação sem seguir os mínimos critérios epidemiológicos.  É mais uma vez a lógica perversa do capitalismo colocada aos interesses de uma minoria endinheirada e acostumada a gestos benevolentes da classe política.  

  É bem provável que as grandes farmacêuticas e laboratórios, logo, logo, entrem nesse jogo onde o dinheiro vale mais que os interesses coletivos do povo. O que é bem preocupante, pois se o governo Federal não garante até junho, nem mesmo a imunização de toda população prioritária, imagine com a concorrência dos todos poderosos que estão dispostos a pagarem mais pela vacina. Por outro lado, os próprios insumos, hoje direcionados a imunizar a população idosa e com comorbidades, ficariam ainda mais escasso no mercado.  É a magia do dinheiro prevalecendo no imenso caldeirão de interesses pouco republicanos. Esse é o Brasil!  

Clóvis Gaião

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