Um fato vindo de Brasília refletirá decisivamente na formação do palanque para as eleições de 2022 na Paraíba. Numa eleição que terá forte influência na disputa presidencial, o governador João Azevêdo conseguiu aval do presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, para o apoio presidencial da legenda na Paraíba, o que representa, que a nacional não será obstáculo para uma composição do governador João Azevêdo com Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A movimentação sinaliza que o ex-presidente Lula terá um grande palanque na Paraíba reunindo, até mesmo, forças divergentes na esfera local, mas que não comungam com o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido). Na Paraíba, Bolsonaro não esconde de ninguém que o ex-prefeito Romero Rodrigues (PSD) é o seu candidato a governador preferencial, sentimento que deve ser seguido pela base Bolsonarista raiz e por setores do PSDB , mas que sofre resistências com forças da centro direita e da centro esquerda, que andam decepcionados com o governo federal.
A ida de João Azevêdo à Brasilia é estratégica e cirúrgica para deixar o caminho livre para construir um grande arco de alianças em torno de Lula na Paraíba, atraindo também lideranças de centro como o PP, MDB, Podemos e Avante juntamente com legendas de esquerda como PC do B, PSB e o PV. O fato do Cidadania não ter candidatura própria à presidência e de nenhum nome da 3ª via conseguir resultados expressivos nas pesquisas abre caminho para isso.
O posicionamento de João Azevêdo no sentido de ter um apoio de um presidenciável com potencial de vitória para fortalecimento do seu palanque formado na Paraíba, em sua maioria, por forças de oposição a Bolsonaro, exceto do deputado federal Hugo Mota, do PRB, e do deputado federal Efraim Morais, do Democratas, que sinaliza ter candidatura própria a presidente com o ex-ministro, Henrique Mandeta (DEM).
O próprio ex-presidente Lula deverá incluir em sua agenda de julho uma passagem pela Paraíba onde pretende se reunir com o governador João Azevêdo, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP) e o Senador Veneziano (MDB). Mas Lula poderá conversar também com o ex-prefeito Luciano Cartaxo (PV) e com o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), que fazem oposição ao atual governador, mas que convergem no plano nacional e não subiriam no palanque de Bolsonaro. A missão de Lula é somar e não dividir, o que também é positivo para o fortalecimento do próprio projeto de reeleição de João Azevêdo. Certamente não será uma tarefa fácil, mas em se tratando de um Lula renascido das cinzas e revigorado, é algo plausível.
