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Aberração: Vereadores de João Pessoa aprovam projeto que quer flexibilizar culto religiosos na pandemia

Os vereadores de João Pessoa deram uma demonstração de que suas ideologias e proselitismo políticos valem mais que a vida, que o amor ao próximo. Numa atitude que não tem nada a ver com os princípios cristãos, os vereadores Bispo José Luiz (Republicanos), Elisa Virgínia (PP) e Carlão (Patriota) defenderam a aglomeração em templos religiosos ao tornar as atividades religiosas como atividades essenciais no período da pandemia do coronavírus. Não apenas eles, mas outros vereadores que aprovaram Projeto de Lei que estabelece os templos religiosos do município como atividade essencial, na sessão ordinária desta quinta-feira (4).

A vice-presidente da Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP), Eliza Virgínia (PP), comemorou cantado “glória e aleluia” junto com a sua equipe. “Desde o ano passado, a gente vem usando o espaço na CMJP e as redes sociais para solicitar a reabertura das igrejas e agora conseguimos aprovar na Câmara esse projeto que torna as igrejas algo essencial, e é dessa forma que a gente enxerga as igrejas”, contou a parlamentar.

“O meu Projeto de Lei (PL 03/2021), quando traz a atividade religiosa como algo essencial à sociedade, é o respeito em que em Deus e no Evangelho há salvação. Não queremos apenas que atividades religiosas aconteçam, mas que os líderes religiosos em diálogo com os Poderes e o Estado, unidos, achem uma solução. Estamos dizendo que instituições religiosas, profissionais da Saúde, da Educação, todos sejam levados em consideração na hora de decidir se fecha tudo ou não”, explicou o vereador Carlão.

O Bispo José Luiz defende que as igrejas não sejam fechadas por completo. “Quando insistimos que a igreja tenha seu percentual de funcionamento, sabemos que vai caber aos órgãos de saúde responsáveis estabelecer qual percentual. Nós do segmento evangélico já fomos chamados de palhaços, hipócritas e irresponsáveis. Por que essas palavras tão grosseiras quando só queremos continuar as atividades sociais e ajudar o Poder Público?”, indagou o vereador, salientando que a igreja é parceira do Executivo Municipal.

Aos vereadores Bispo Zé Luiz, Elisa e Carlã, nota O, em empatia, bom senso e amor ao próximo.  Que Deus tenha misericórdia por atitudes tão irresponsáveis. Ainda bem que temos um governador e um prefeito com coragem e responsabilidade com a vida e com a garantia dos serviços de saúde.  

Contra flexibilização

Preocupado com o avanço da pandemia que já matou mais de 260 mil mortos no país, o vereador Marcos Henriques (PT) posicionou-se contra posturas de flexibilização de atividades religiosas e de educação na Capital. “Queria me solidarizar com empresários, pastores e padres. É preciso uma leitura correta da situação. Esta pandemia tem aumentado o número de vítimas. Ontem foram 1840 mortes”, lamentou em relação ao segundo dia consecutivo com a maior média de mortes no País em toda a pandemia, ao abrir os pronunciamentos em plenário, durante a sessão ordinária desta manhã de quinta-feira (4).

O parlamentar repercutiu as previsões do neurocientista Miguel Nicolelis, de que pode se tornar realidade a marca de 3 mil mortes diárias no Brasil nas próximas semanas. “É um dos cientistas mais respeitados do País. Então abrem as igrejas e templos religiosos com respeito aos 30% de lotação máxima. Mas como os cidadãos vão até esses locais? De ônibus. Aqui, as empresas de coletivos estavam fazendo os usuários descerem dos veículos a 200 metros dos pontos de fiscalização. De que adianta fazer toque de recolher com essas posturas?”, problematizou o petista.

Clóvis Gaião

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