Uma reportagem da edição deste mês de agosto da revista Piauí, voltou a trazer a tona a relação de algumas cidades brasileiras onde políticos usam seus cargos de prefeitos para trabalhar em conjunto com as facções criminosas e cita o caso que envolveu as cidades paraibanas de João Pessoa e Cabedelo, geridas na época pelos ex-prefeitos Cícero Lucena (MDB) e Vitor Hugo (MDB), atuais candidatos ao Governo do Estado e a Assembleia Legislativa da Paraíba.
Denominada “O CRIME NAS URNAS”, a matéria cita como facções e milícias estão avançando sobre cargos políticos, de Norte a Sul do Brasil. A matéria cita que em Cabedelo, na Paraíba, as siglas do Comando Vermelho (CV) e do traficante Fatoka (FTK): estão estamparas nas ruas e a violência agora não vem mais dos antigos “coronéis”, mas das facções criminosas, com métodos que misturam corrupção, agressões e mortes.
Na página 24, um trecho da reportagem, depois de relatar a situação de Santa Quitéria (CE), Rio e Cabedelo, diz: “O braço do crime também chegou à capital da Paraíba, João Pessoa. No pleito de 2024, Maria Lauremília Assis de Lucena, mulher do então prefeito Cícero Lucena, pactuou um acordo com a Nova Okaida. A organização criminosa impediria a campanha de candidatos rivais de Cícero Lucena no bairro São José […]”, diz trecho da reportagem.
Ainda segundo a matéria, a estratégia do crime organizado de dominar a ordem política está cada vez mais tentacular e não atinge apenas o Ceará, mas vários outros estados do país, de Norte a Sul. Seu objetivo é eleger vereadores, prefeitos e deputados, para o que tem recorrido a métodos cada vez mais violentos – misto de corrupção, ameaças, agressões e assassinatos. Essa nova ameaça à democracia pode representar um risco de grande alcance para as eleições deste ano, como mostra uma reportagem publicada na edição deste mês da piauí.
Na publicação ainda traz o cientista político José Maria Pereira da Nóbrega Júnior, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), que há três anos estuda a infiltração do crime nas estruturas do Estado, é ainda mais enfático: “Estamos vendo o início de um fenômeno muito grave, que vai mudar para pior a qualidade da atividade política no país”, diz. Segundo ele, as facções criminosas estão aproveitando a fragilidade da democracia brasileira e a persistente corrupção no poder público para se infiltrar cada vez mais na política partidária. “A política é lucrativa, corrupta e permeada de impunidade, o que é muito tentador para as facções.”
Por fim a matéria cita que a julgar pela escolha dos partidos preferência ideológica pela direita. Nas últimas cinco eleições, 59% dos candidatos ligados ao crime concorreram por partidos de direita, com destaque para o PP (11 candidatos), seguido do Republicanos (8) e União Brasil (7) e do PL (6). Outros 23% eram de partidos de esquerda (incluindo 7 do PSB e 6 do PT). As siglas de centro-direita atraíram 19%, com destaque para o PSD, com 7 candidatos.
Link: https://piaui.uol.com.br/web/crime-organizado-ameaca-eleicoes/
Redação com Revista Piauí
